

A História da Lambretta
Ferdinando Innocenti, italiano nascido em 01 de setembro de
1891, após concluir o 3° ano da escola técnica, junto-se ao seu pai um
ferreiro. Aos 18 anos, iniciou com sua família um negócio de compra de
ferro utilizado na drenagem dos pantanos de Maremma. O ferro era trocado
por óleo, que era vendido gerando grandes lucros.
Em 1920 iniciou estudos sobre possíveis aplicações com tubos de aço.
Após muitas dificuldades, com o grande crescimento econômico da Italia
devido a política fascista na década de 20, Ferdinando trabalhou para o
crescimento de sua indústria, fornecendo seus tubos de ferro para as
mais diversas aplicações: Andaines, torres de alta tensão, portões,
cercas, postes, sistemas de irrigação, drenagem, canos, equipamentos de
ginastica, esgrima, tubos para termoelétricas, gás, cilindros de
ar-comprimido, tanques para vagões de trem, eixos para hélices, tubos
para indústria automobilistica, vidraceira e muitas outros. Usos muito
variados, porém tecnicamente a produção dos tubos de ferro não era muito
diferente.
Após a
II Guerra Mundial Ferdinando Innocenti, enfrentou o árduo trabalho da
reconstrução de sua fábrica situada em Lambratte (daí o nome Lambretta),
Milão, que havia sido reduzida a uma pilha escombros e fumaça durante
bombardeio dos
Aliados. Percebeu neste momento que as necessidades
primárias de seu país eram duas, a primeira era a de começar a produção
de equipamento industrial e maquinaria pesada; e a segunda prover de um
método barato e seguro o transporte da população.
(acima, fábrica destruída durante a II
Guerra Mundial).
Ferdinando se uniu ao engenheiro Pierluigi Torre que idealizou um
veículo de baixo custo de produção , barato de se manter, e com proteção
melhor que uma motocicleta para as mudanças de tempo (chuva, frio, neve,
etc.): a Lambretta.
A
produção da Lambretta começou em 1947, depois de um ano gasto com
desenvolvimento e teste do novo protótipo. A primeira Lambretta foi
inspirada num veículo militar modelo "Cushman" (a esquerda), empregado
pelo exército americano durante a II Guerra que era utilizado para
transporte individual de uma divisão motorizada.
Naturalmente foi batizada de Modelo UM, que tinha como característica
um motor de dois tempos com um único cilindro, e enfadonho, mas
eficiente pistão de 52 a 58 mm de diâmetro. Isto dava ao novo modelo,
123 cc de potência e 4.2 bhp desenvolvidos a 4400 rpm. Operando com taxa
de compressão na relação de 6:1 , o Modelo UM desenvolvia até 33
quilômetros com 1 litro de gasolina, um ponto forte de venda, em uma
Itália escassa em combustível. O chassi no qual esta pequena máquina
estava montada, era um tipo de painel tubular, com um plataforma, no
qual o piloto colocava os pés.
A Lambretta no Brasil
A Lambretta foi a primeira fábrica de veículos do Brasil, saindo na
frente até mesmo da indústria automobilística. A implantação da fábrica
Lambretta do Brasil S.A.- Indústrias Mecânicas em 1955 , como uma
licenciada da Inocentti, no bairro da Lapa em São Paulo, coincidiu com a
moda mundial da motoneta ( scooter ), na década de 50. A produção entre
1958 e 1960, o apogeu da marca, superou a quantidade de 50.000 unidades
por ano.
Um dos
pontos fortes da Lambretta era a boa estabilidade, devido ao baixo
centro de gravidade proporcionado pelo motor próximo da roda traseira. O
motor 2 tempos tinha boa refrigeração mesmo em marcha lenta,
proporcionada por uma ventoinha.
A partir de 1960 foi lançado o modelo Li (corresponde ao modelo
"série 2 " que foi lançado pela Innocenti na Itália em outubro de 1959)
que substituía o eixo cardan por corrente, câmbio de 4 marchas, pneus
aro 10" ao invés de 8" além de outras modificações, inclusive na versão
Lambrecar.
Em 1964 a fábrica lançava uma versão com um motor mais potente, O
modelo X de 175cc. Muda sua denominação para Cia. Industrial Pasco
Lambretta , fazendo apenas uma mudança da razão social: Pasco é a
abreviatura de Pascowitch, nome do proprietário da empresa desde sua
implantação inicial.
Em 1970 Felipe Pugliese, então o maior acionista, comprou a fábrica
juntamente com o empresário Oliveiro Brumana. mudando a razão social da
fábrica para Brumana & Pugliesi S.A. - Indústria e Comércio de
Motores e Veículos. Começou então uma tentativa de recuperação da
fábrica: foram construídas novas instalações, na via Anhangüera, com 19
mil metros quadrados de área e 12 mil construídos. Foi adquirido
maquinário completo para produzir uma 125cc nacional.
Em 1971, numa tentativa de melhorar o mercado, a Lambretta lançou uma
moto híbrida com motoneta, a Xispa, com projeto e componentes totalmente
nacionais em versão de 150cc e 175cc que ficou em linha até 1979.
Mas
a indústria automobilística já tinha se implantado e o mercado das
motocicletas se aquecia com a entrada das japonesas. A Lambretta quase
fechou neste momento.
Em 1976 a Brumana Pugliese lança o ciclomotor
Ponei, utilizando componentes da Xispa e um motor parecido com o da
Garelli, ficando em linha até 1980.
O
modelo Li evoluiu para a bela Cynthia lançada em 150 e 175cc, ao mesmo
tempo que era lançada a MS150 que era mais estreita que a primeira e
tinha as tampas laterais cortadas, pelo que recebeu o apelido de "mini
saia" (a esquerda).
Mas faltou capital e a Honda e a Yamaha lançaram primeiro suas 125
cc, e o maquinário ficou guardado em um canto da indústria, sem qualquer
utilização. A Lambretta parou de produzir a motoneta (scooter) e passou
por uma grande crise. Finalmente em 1979, como último suspiro, lançou a Lambretta Br Tork nas versões 125P, 125T e de 150cc, voltado para o
segmento de veículos populares com preços acessíveis.
A fábrica faliu em 1982. Sua congênere na Argentina a Siambretta
fechou as portas no final da década de 60. Hoje a Lambretta ainda é
produzida na Índia pela "S.I.L" (Scooters India Ltd) porém somente o
triciclo conhecido como "Tuk Tuk".
Fontes de pesquisa
http://www.motosantigas.com.br/lambretta
http://www.lambrettasrs.hpg.ig.com.br/
Texto extraído do site Clube da Lambretta de Santa Catarina
http://planeta.terra.com.br/arte/pontedosarcos/lambretta/